Sim, serei resistência para lutar contra o racismo

 

Ontem(20), comemoramos o Dia da Consciência Negra no Brasil. Atualmente, mesmo com o fim da escravidão em 1888, os negros ainda não foram totalmente integrados na sociedade, “simplesmente” por conta da discriminação racial. É, ela existe.

O dia remete a Zumbi dos Palmares, líder negro e símbolo da consciência negra no Brasil. Entretanto, tivemos várias mulheres negras, que foram símbolo de luta e resistência, como Dandara esposa de Zumbi,  uma grande líder da luta no período.

Mesmo com inúmeras campanhas, leis e ações contra o racismo, a pessoa negra ainda é estigmatizada pela cor. Nós somos os principais nos números que compõem o analfabetismo, o desemprego e “causadores” de outros problemas sociais, como a violência, tudo isso por perseguição da raça. Pra se ter uma ideia, nos Estados Unidos por exemplo, um jovem negro sofre três vezes mais riscos que um jovem branco, de ser morto por agentes policiais. Já no Brasil, 71% das vítimas de homicídios são negros e a cada 23 minutos morre um.

Hoje, os movimentos em prol dos negros é o que mantém acesa a chama da liberdade. As leis e políticas públicas contra o racismo é o que nos dão segurança e força para enfrentar a sociedade hipócrita e preconceituosa. Já diz o ditado, “os números não mentem”, então vejamos os dados da campanha SUS sem Racismo: 60% das vitimas de mortalidade materna no país são negras, desse número somente 27% teve acompanhamento durante o parto. Em relação às mulheres brancas, esse número sobe para 46,2%. Um outro dado mostra que 62,5% receberam orientações sobre aleitamento materno, para as mulheres brancas o número sobe para 77% . Veja que estamos falando somente no âmbito da saúde, sem entrar nas várias outras vertentes de discriminação racial que existem.

O caso mais alarmante de luta a favor da mulher negra no Brasil, é o da vereadora da cidade do Rio de Janeiro, Marielle Franco (PSOL), assassinada a tiros, no centro da cidade do Rio de Janeiro. Para que sua morte seja investigada com afinco pelas autoridades e que Marielle, não seja mais um número na estatística cruel de negros assassinados, movimentos nacionais e internacionais lutam constantemente e diariamente para que os culpados sejam capturados e punidos, seja quem for. Marielle era negra, pobre, feminista, oriunda de favela e estava em seu primeiro mandato na Câmara Municipal. Sua luta era contra o extermínio de jovens nas periferias e igualdade ao empoderamento da mulher negra. Calar a voz de Marielle é como se a sociedade machista e preconceituosa  mandasse um recado contra a inserção de mulheres e mulheres negras, na política.

Nada pode nos calar, temos que continuar a lutar para que um negro de jaleco branco no hospital seja normal, sim porque é um grande médico. Para que uma mulher negra no Congresso Nacional seja habitual, sim porque é uma grande senadora ou deputada federal, para que um lugar tão frequentado somente por brancos seja lugar de negro também e sem qualquer motivo de espanto. Poderia eu, gastar horas aqui falando centenas de exemplos onde somos alvo de racismo, mas gostaria de te chamar à reflexão e assim fazer com que você lute comigo, nessa guerra que também é sua. E diga aos racistas e preconceituosos que sim, serei resistência nessa luta e continuarei firme para que consigamos construir no futuro um Brasil mais justo e igual para a “raça humana”.

Rosangela Gomes
Deputada Federal PRB/RJ
Coordenadora Nacional do PRB Mulher.

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