Advogadas negras têm nome! Valéria Santos não está sozinha

O fato da advogada carioca Valéria Santos, que foi detida, algemada e arrastada, no exercício de sua profissão durante uma audiência no 3˚Juizado Especial Criminal em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, chocou o Brasil. São tantos aspectos evidenciados nesse caso, que só escancara o que defendemos todos os dias no parlamento. A necessidade de políticas públicas que protejam mulheres, em especial mulheres negras, que constituem a base da pirâmide social em nosso País.

O primeiro aspecto chocante é o local onde a cena acontece, em um ambiente do Judiciário. O que dizer? Como advogada, me solidarizo com Valéria, imaginando como é, estar no exercício de uma profissão tão honrada, fazer um pedido de apreciação em defesa de uma cliente, ato legal, e após a negativa da Juíza, ser expulsa de uma Sala de Audiência, sob truculência policial. Uma juíza, sim, outra mulher. O que dizer novamente?

Todo episódio foi presenciado por outros advogados e advogadas que, em momento algum, intercederam em favor da colega e em cumprimento da Lei. O que dizer? O desabafo de Valéria Santos foi: “Eles estão preocupados com audiência e permitem atropelar a Lei, que país é esse? Depois querem reclamar de político que rouba, se vocês são advogados e não estão respeitando a Lei.”

E mais ainda, outro fato a ser destacado nesse caso, é que praticamente toda a imprensa se referiu ao caso como “Advogada negra é algemada”, essa mulher tem nome, sobrenome, e registro na Ordem dos Advogados do Brasil. A OAB entendeu que houve abuso e vai entrar com representação no TJ pedindo afastamento da Juíza.

O fato aconteceu no Rio de Janeiro, mas tantos outros acontecem, diariamente, em nosso País, em nosso Estado, e em nossa cidade, Salvador. Por isso lutamos por políticas públicas que empoderem as mulheres negras de Salvador, em todos os aspectos, inclusive no seu empoderamento econômico. Fica aqui nosso repúdio, nosso protesto, e o estímulo para nossa luta, ecoados nos gritos de Valéria, quando disse: “Eu estou trabalhando. Eu quero trabalhar. Eu tenho direito de trabalhar”.

Por Rogéria Santos – Vereadora do PRB em Salvador(BA)

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